Contos e memórias do cotidiano, crônicas humorísticas, regionalismo e ilustrações além de muita Literatura e narrativa brasileira

Prólogo do Autor

Como é comum entre todos os brasileiros, recomecei minhas atividades por várias vezes, juntando e colando cacos deixados por várias instabilidades que sucederam em nosso país, como se fosse dado um tiro no pé a cada ano, cujo resultado sempre foram os piores possíveis, tendo que nos adaptar após cada transtorno gerado por essas crises e continuar vivendo com esperanças em dias melhores.
Sendo essa minha terra, não tinha outras opções, tinha que dar sequência em meus objetivos com os recursos que dispunha.
Como minhas origens têm suas raízes fixadas no campo, e como aficionado da natureza que sou, meus conhecimentos ajudaram muito na criação de vários personagens.

Por ser um democrata, emprestei a vários personagens minhas memórias e até mesmo meus animais de estimação, como é o caso de minha bezerra, a Angola, e de Trovão, um cavalo de lida que um dia montei nas minhas andanças com o gado em minha terra, Boa Esperança do Sul e nos municípios da região.
Por circunstâncias da vida um dia tive que abandonar minha terra vindo para São Paulo, onde de inicio foi muito difícil minha adaptação pela diferença existente entre a vida pacata do interior e a pressa existente do progresso na capital, onde tudo tem que ser resolvido com meias doses, meias palavras e uma certa urgência. Desde muito jovem gostava de fixar meus pensamentos em papel para em seguida arquivá-los no lixo, por não acreditar em seus valores, mas depois de uma certa idade, com mais experiência adquirida nas mais variadas atividades, surgiam inspirações de todo tipo. Esses temas,eram discursados aos meus amigos, que encabulados e atentos ouviam a minha narrativa. Ao terminar perguntavam -me, quem era o autor. Essa curiosidade me desmontava, meio sem graça dizia: -Sou eu mesmo. Ao pedirem que repetisse para comprovar, não surgia mais nada, minha mente bloqueava. Tudo era feito de improviso, esquecia em seguida, assim que terminava a minha locução.

Todos riam e achavam que se tratava de invencionice de jovem, amigo não acredita em amigo. Eu não tinha pinta de poeta, muito menos de filósofo, uma vez que fugi da escola muito cedo, aprendendo muito com as experiências acumuladas pela vida.

Todos temas que criei, desperdicei, não tenho como avaliar seus conteúdos, não tinha ao meu lado nenhuma encarnação do Platão para registrá-los, todos se perderam como o calor se perde pelo espaço. Creio que muitos ainda se encontrem vagando por aí em algum ponto ermo da natureza, quem sabe se os pássaros não os ouvem ao cantar. De minha parte nunca consegui recompor meus pensamentos, deixando tudo como doação ao que é esquecido. Deve ter um local apropriado para tudo, como descrevia Homero o grande criador de mitos, que dava um local para cada criação, alojando todas obras esquecidas e abafadas pelo esquecimento. Somente Deus mesmo para dizer seus valores!

Hoje, agradeço o julgamento indireto que faziam e a valorização que davam aos meus temas, pois justamente esse descrédito que me fez acreditar que possuia algum valor, levando-me a debruçar sobre folhas e mais folhas de papel, com a caneta entre os dedos, sem deixar escapar mais nenhum tema, nesse final de vida que ainda me resta.
Agradeço a Deus continuar vivo com a mente ainda me dando as respostas necessárias à conclusão de meus trinta e quatro livros, dos mais variados temas, até chegar a complexidade da filosofia, algo mais profundo que fui desenvolvendo durante meus exercícios em vários jornais onde atuei como colaborador, cronista, pensador e articulista espiritual, apresentando minhas filosofias em mais de quinhentas edições.
Como disse dos meus 59 anos aos 71, não deixei escapar mais nada, aprisionei todos meus pensamentos em papel e tinta, para que não fujam mais de meus domínios, como fugiram outros para um local desconhecido desse maravilhoso universo, salpicados de estrelas, onde tudo é possível até encontrar meus pensamentos perdidos, uma vez que lá é a casa de Deus e dos poetas.